Confesso que idealizei um pouco o primeiro ano do Daniel na escola.
Queria que fosse diferente do meu. Gostaria realmente que ele pudesse frequentar uma boa escola e ter uma professora legal, moderna, atualizada com a pedagogia, entre outras coisas. Mas infelizmente não foi assim. Como optei ficar com ele em casa até ele ir para escola, não trabalhei e isso não permitiu que ele fosse para uma escola particular.
Então depois dessa pequena grande frustração, contei com a sorte. A sorte de de repente, ele pegar uma professora legal. Alguém que gostasse de crianças e principalmente gostasse de dar aula para elas. De novo não foi assim.
A professora dele já tem 25 anos de carreira, próxima de se aposentar, pegou o primeiro aninho para dar aulas apenas para trabalhar menos e tentar se incomodar menos. Mas além disso, ela é uma das pessoas mais nojentas que já conheci. Problemática, extremamente preconceituosa, reacionária, autoritária, pedante, antipática e iria dizer que é falsa, mas é meio patético chamar ela de falsa, pois ela mal disfarça o ranço que sente de estar ali e ter que conversar com qualquer pai de aluno.
Nesse primeiro embate, especificamente, rolou que Daniel amava pintar e mesmo pintando mal (ele não tem boa coordenação motora pra isso, e daí?) ele curtia. Sempre orientava ele para pintar dentro do desenho e tal, mas eu sei que ele ia aprender com o tempo. Estamos de boa aqui, não tem cobranças alguma em relação à isso. De repente, do nada, ele começou não querer pintar mais nada e perdeu o gosto pela atividade. Observei durante alguns dias e vi que realmente tinha alguma coisa errada. Fui investigando e especulando como era a relação dela com os outros alunos.
Uma das coisas que tomo bastante cuidado é o tal do "vitimismo". Esperei até realmente confirmar se ele estava mesmo sendo vítima da falta de pedagogia dela ou era só uma coisa passageira. Mas não adiantava tampar o sol com a peneira. Todo dia era uma reclamação diferente dos pais de alunos do primeiro ano no portão da escola, depois de entregar os filhos.
Uma contava que ela chamou a filha de mentirosa porque foi reclamar que alguém pegou a borracha. Outra reclamava que ela gritava, outra que ela não deixava o filho ir ao banheiro mesmo ele realmente precisando. E por aí foi. Quando decidi falar com ela para ver o que estava acontecendo, a diretora chamou a mim e uma mãe, que também estava lá pra falar da dita professora. Conversamos e explicamos a situação. Primeiramente sozinhas com a diretora e coordenadora. Depois ela entrou. Resumo de ópera, a outra mãe se intimidou diante da professora e preferiu inventar uma desculpa para sair. Enquanto eu fiquei com ela ouvindo as milhares de desculpas sobre como ela "tem que" agir com pulso firme porque está sozinha com 25 alunos e sem ajudante blábláblá. Enfim, nada do que ela disse explicou ou ainda muito menos justificou ela ser uma cavala, grossa e segregacionista com os alunos.
A sala sem lei
É, lá ela faz a lei. Ela escolhe os preferidos dando presentinhos com a desculpa de que "aquele" aluninho" mereceu. Como no caso em que ela deu uma caneta de um personagem de desenho para uma aluna e os outros ficaram só olhando. Ao ouvir uma reclamação de uma mãe, (quem me contou foi a própria) ela foi enfática: o lápis é dela, ela dá pra quem quiser. Ela mostra, pelo que entendi, quase que diariamente quem são os melhores alunos, com a desculpa de que os outros sigam o exemplo deles. Ela compara eles o tempo todo, com a também desculpa esfarrapada de "incentivar" os outros a serem iguais aqueles.
Por fim, apesar de fazer a compreensiva dizendo que entendia as dificuldades dela em gerir uma sala de crianças pequenas sozinhas, não mostrei os dentes e deixei bem claro que estou de olho nas atitudes dela com meu filho e nas atitudes dela como professora. Se funcionou não sei. Mas agora que declarei guerra, vou até o fim. Fazer o que puder para que ela não humilhe nem maltrate meu filho e acima de tudo, não tire dele o gosto em ir para escola estudar.
O resto é, de novo, contar com a sorte!!
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