sábado, 7 de junho de 2014

Educar não é fácil

Lembro quando eu era solteira e sem filhos e alguém dizia: Não quero mais filhos. O problema não é nem a parte financeira, é a educação. Educar é muito difícil.

Pensava comigo: Bando de frouxos, educar é difícil? Da onde? É desculpa pra não ter mais filhos, apenas isso.


Pois bem, chegou minha vez. Não digo que não vou ter mais filhos por causa disso. Mas que educar é o cão chupando manga, disso eu não tenho mais dúvidas. E aí mistura a educação que você teve com a educação que você quer dar, com a educação que seu marido acha certo e finalmente a educação que você realmente dá. Resumidamente: um desastre!!!


Eu, pra começo de conversa tive uma educação rígida, cheia de restrições e regras. Éramos em muitos irmãos e pelo nível de conhecimento da minha mãe, acho que ela não tinha muitas opções na época. Com isso aprendi que desobediência se cura é com palmada. Muitas coisas consegui mudar aqui em casa, mas isso às vezes é tão internalizado que quando você vê já está fazendo. Então o mais velho apanha e bate no mais novo que bate no cachorro que late pra qualquer cachorro da rua. É um efeito cascata.

Pois bem. Aproveitei que o Bruno foi posar na tia e fiquei a sós com Daniel e levei-o para passear e para conversarmos. Incrível como meu pequeno, mesmo somente com 5 anos, já consegue entender e conversar direitinho. Vi que ele não se importou que o irmão fosse posar na tia porque queria ficar só comigo. Acho mesmo que ele estava sentindo falta da mãe só pra ele. Conversamos e falei que às vezes a mamãe fica muito nervosa porque eles começam a brigar no exato momento que estou fazendo comida ou falando no telefone, ou ainda quando estou trabalhando ou mesmo fazendo as deliciosas #sqn coisas da casa, como varrer, limpar o banheiro, etc, etc e etc. Então acabo gritando ou sendo mais agressiva, e ele por sua vez desconta a raiva no Bruno que devolve pra ele e a coisa não para nunca. Disse então que combinaríamos de não mais brigar, nem ter acessos de ira porque um pegou o brinquedo, porque o outro está imitando ou porque começam me chamar pedindo alguma coisa. Me comprometi e pedi que ele se comprometesse a manter o ambiente pacífico, que nós nos esforçássemos para manter a calma e respeitar um ao outro.

O rancor

Ele entendeu e também falou que ele fica triste com o Bruno porque ele pega suas coisas e destrói tudo (pior é que é verdade) e vi nos seus olhinhos que não era só ciúmes do irmão, era um pouco de ressentimento de ter que dividir desde a mãe até os mais simples brinquedos. Então pedi perdão e disse que recomeçaríamos do zero. Para minha surpresa (mas não muito, já que o conheço bem) ele não aceitou. Então insisti dizendo que ele deveria me perdoar para esquecermos tudo e começarmos novamente. Ele fez não com a cabeça. Acho que mais que nunca percebi a gravidade da situação. Uma mágoa não se cura assim de um dia para o outro, não se perdoa só porque alguém decidiu pedir perdão. Ele foi sincero, foi autêntico. No seu coraçãozinho achou que perdoar não ia fazer diferença. Mesmo assim pedi de novo e expliquei porque era importante ele perdoar. Então ele cedeu, nos abraçamos e ele ficou contente, sorriu e voltamos pra casa.

Fiquei feliz, porque mesmo errando e acertando, tenho conseguido manter esse canal de diálogo sempre aberto. Consigo conversar e com calma consigo fazer ele se expressar. Mas a jornada é longa e isso é só o começo. Realmente não é fácil, mas não vai ser impossível. O certo é lembrar que o amor consegue educar melhor do que a disciplina autoritária, que o amor não erra, e ele tem discernimento.

Aproveitei e fiz algumas fotos dele brincando e feliz, sozinho, mas feliz. Ele gosta de ficar sozinho e isso também deve ser respeitado!!





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