terça-feira, 15 de abril de 2014

Sobre a escola e professora do Daniel


Daniel é uma criança alegre, comunicativa e sensível. Hoje fazendo a tarefa se saiu com essa. 
- Mãe, o urubu é bravo, feliz, ou triste?
- Sei lá, acho que depende do dia.

É meu amor, mamãe não sabe de tudo mesmo e muitas vezes vai ficar te devendo alguma resposta. Mas de uma coisa eu sei: você pode sempre, sempre, enquanto viva eu estiver, contar comigo. 

E isso foi pra contar que do nada, de repente, ele fez uma manha que já nem lembro o motivo e queria me abraçar e pedir colo e como ele é meio chorãozinho mesmo, falei que era pra parar de chorar sem motivo. Que se tivesse motivo, era pra me contar o que era. Mas sempre sem negar o abracinho e o cafuné. 

A princípio disse que não queria mais ir para escola. Queria ficar em casa. Perguntei por que e não saía nada. Então negociei e disse que a escola tem a parte chata, mas tem a parte legal. Mas nada adiantava e choro e mais choro. Hora dizia que queria faltar, hora dizia que não queria mais ir. Tive que explicar os porquês dele ter que ir, incluindo que seríamos presos (eu e o pai dele), caso ele não fosse. É, traumático eu sei. Mas esse é um tipo de verdade que deve ser mencionado e vou dizer por que. 

Porque faz parte das leis que regem a sociedade, das quais obedecemos porque temos que obedecer e não porque achamos certo. Sim, quero que ele saiba que não compactuo com esse pensamento de que ele tem que ir obrigatoriamente para a escola, sem estímulo positivo, sem estar preparado de fato. Assim ele entende também que não é sempre que fazemos o que queremos, quando queremos e porque queremos. Todos temos nossas obrigações e a dele, de alguma forma, começa agora. Também sei que ele tem maturidade necessária para entender isso. 

E foi depois disso que ele abriu o coraçãozinho e contou porque não queria mais ir. Bem, ontem ele fez a tarefa, mas estranhamente não quis colorir os desenhos. Eu deixei e disse que a professora cobraria dele, não de mim. Que ele teria que assumir essa responsabilidade, pois o caderno era dele e não meu. 

Na hora, com certeza ele nem ligou e fechou o caderno. Pois hoje ela cobrou mesmo, mas pelo choro sentido dele, foi humilhante a maneira como ela falou com ele. Não é de hoje que observo algumas coisas ruins na relação dela com os alunos. E não é de hoje que observo o desinteresse do Daniel por pintar os desenhos. Ontem ainda ele estava fazendo algo tão fofo, uma espécie de quiet book de papel para contar a história para a Alice, mas estranhamente não quis pintar o desenho. Justo ele que amaaa pintar, colorir tudo que vê. 

Resumidamente, está claro para mim que ela deprecia e intimida ele em relação às suas habilidades. E isso se confirmou quando disse que ia conversar com ela e o medo ficou estampado na cara dele pedindo pra eu não falar com ela. Ela humilha e grita com todo mundo, pois tenho observado algumas outras situações com alunos da sala dele, inclusive com o amiguinho dele que mora na nossa rua e sempre conta a mesma história de gritos na sala. Então somando tudo, já vi que teremos uma batalha pela frente. 

De qualquer forma, acalmei ele e disse que não ia falar com ela por enquanto e que ele não precisava ficar com medo e nem triste. Contei que também tive uma professora não muito legal quando eu era criança e que fiquei triste, mas aprendi tudo que sei hoje. Que não devemos acreditar em ninguém que diz que não sabemos fazer alguma coisa, que precisamos tentar e algumas coisas não ficam tão boas mesmo, mas sabemos fazer outras e na vida a gente sempre aprende tudo o tempo todo. 

Ele foi ficando feliz, me abraçou, se acalmou e depois disso senti ele bem mais tranquilo. O que vou fazer exatamente ainda não sei, mas com ele é certo que vou dar todo amor e apoio possível para que ele seja forte, corajoso e altivo. Ele vai superar isso, mas vou matutar um jeito de conversar com quem realmente possa fazer alguma coisa em relação à essa professora. Pois já percebi que ela mesmo, não tem conversa que dê jeito. 



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