quarta-feira, 23 de maio de 2018

Ler é uma tradição de família




Ler é uma tradição de família. Não sei exatamente com quem começou, mas acredito que com meu avô que lia a bíblia para a família à noite e incentivava muito a leitura da mesma. Minha mãe ficou adulta, teve seus filhos e optou por não ser católica, mas ainda como evangélica, a bíblia sempre foi o livro em destaque. Ela também foi professora no sítio e mesmo sem muito estudo, praticava muito a leitura.

Às vezes irritada ela dizia: “sosseguem o facho e vão ler alguma coisa”, ou colocava meus irmãos mais novos de castigo lendo a bíblia ou alguma publicação do salão. Ou ainda tinha as intermináveis horas de preparação de A Sentinela, em que tínhamos que ler os parágrafos, ler os textos bíblicos e ainda marcar as respostas. Ou seja, sem se dar conta, minha mãe nos ensinou a fazer pesquisa por meio dessas reuniões pra lá de enfadonhas.

Mas nunca peguei raiva, embora como adolescente achava aquilo um saco e ainda até hoje se o assunto não me interessa muito, minha paciência é zero para esse tipo de dinâmica.

O importante é o legado que ela deixou, que é a arte de ler, o gosto pela leitura, o prazer em pegar um livro e ir até o fim.

E está aqui a 4ª geração que ama ler e me enche de orgulho e alegria porque pegou gosto pela leitura sem eu fazer muito esforço, apenas pelo costume, pelo exemplo, pela prática diária.

O primeiro livro que li completo para ele foi O pequeno príncipe, que ele ama até hoje. Agora ele vai escolhendo os próprios livros enquanto vou sugerindo outros. Esse é Hamlet em mangá, que é um formato que ele ama, então se interessou na hora. Ontem, deitado na cama lendo as últimas folhas, me aproximei para dar boa noite e ele soltou um “-ahhh nao acredito” - porque viu que um personagem que ele não esperava, morreu.

Achei tão fofo, tão lindo, meu estômago parecia encher de borboletas, pois entendi que foi naquele exato momento que ele descobriu a magia de ler um livro de verdade. Ele já havia lido os do Minecraft, mas é outro tom de leitura né, não é a mesma coisa. Inclusive só dei esse livro justamente porque vi que ele já estava iniciado no hábito da leitura e ia deslizar no livro. Acertei afinal! Pontinhos para meus ancestrais e para mim Muito amor!

Desde muito pequenos, sempre lemos para eles antes de dormir. Livros de todos os tipos para a idade em que estavam, e ainda não paramos.

Agora Daniel tem 9 anos e Bruno 7 e estamos lendo um livro que ganhamos de uma colega de trabalho.  O menino do dedo verde, que conta sobre um menino que tem o dedo verde e onde toca nascem flores e plantas ornamentais. No entanto o pai dele tem uma fábrica de armas. Enfim, são temas mais à altura da compreensão deles e estamos todos na expectativa do final, mas já sabemos que pode não ser um final feliz.

Mas não importa. O que importa é a viagem, a leitura, o saber, o descobrir, o avançar. E isso a leitura faz com louvor e isso praticamos com alegria.


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