E lá fomos nós hoje para mais uma sessão de terapia em família.
Estou achando maravilhoso, embora ache que a participação do Chrys seria ideal. Mas não tem problema porque os assuntos mais importantes estão sendo tratados de maneira delicada e carinhosa. Exatamente como imaginei!
É legal que sejam 3 terapeutas, uma para cada um, porque os pontos de vista são diferentes e isso enriquece a terapia. A terapeuta do Daniel por exemplo, hoje conversou só comigo e foi bem produtivo. Ela realmente afirmou que ele é praticamente minha sombra e acaba absorvendo tudo que sou, falo e sinto. Então o indicado é prestar atenção no que tenho falado, sentido e expressado. Disse que ele é muito inteligente e isso contribui para que de forma inconsciente ele também queira me manipular exagerando um pouco suas emoções se excedendo no choro e fazendo dramas a respeito de coisas pequenas.Chamou minha atenção para o fato dele não ter amigos, ser reservado e bem desconfiado. Disse que ele não entrega o jogo facilmente e que não é muito fácil conquistar sua confiança.
Sugeriu que eu o incentive a fazer amizades e ser mais aberto com as pessoas, pois esse atual comportamento repele os amiguinhos e pode fazer com que ele se decepcione mais facilmente, pois quando tiver uma amizade terá muita expectativa sobre aquela pessoa.
Coincidência? Não, claro que não. Eu sou um espelho para ele e claro que ele observa que não tenho amigos, sou desconfiada e bem na minha. Apenas está me imitando.
É difícil para mim pensar em mudar esse comportamento dele porque na verdade eu não quero que ele fique tão vulnerável em contato com tanta gente estranha. Mas a verdade é que é ao contrário. Quanto mais contato ele tiver com as pessoas, mais saberá lidar com elas. Acho que é como dirigir, só a prática funciona. Bom, eu não tenho muitos amigos e os que tenho sei que são bem passageiros. Não consigo mais confiar muito em ninguém e nem tenho vontade de fazer grandes amizades, realmente as decepções que tive ajudaram nisso. Mas claro, talvez seja hora de novas perspectivas ou pelo menos ver as coisas por um novo prisma. Se isolar da humanidade é interessante, mas acaba ficando obsoleto quando você tem filhos.
Quanto ao Bruno a terapeuta dele apenas advertiu sobre os desenhos que podem conter erotizações sem que eu perceba isso e vamos verificar juntas se isso dele querer beijar "todo mundo" na boca venha disso ou não.
A minha terapeuta hoje mais ouviu do que falou, e confesso que tenho que deixá-la falar um pouco mais para que ela me ajude efetivamente. Mesmo assim ela é clara e objetiva nas mensagens.
Primeiro sobre Daniel ter falado que tinha medo de eu morrer, ela orientou que eu fale que todas as pessoas vão morrer, pois essa falsa sensação que a mãe nunca vai morrer pode ser bem prejudicial. Segundo sobre a vizinha e suas observações. Bom, mais um problema de "limites". Preciso dar limites para as pessoas.
Está aí uma questão bem delicada pra mim, fazer com que as pessoas me respeitem. Eu fico com medo de não ser agradável, porque eu não me acho mesmo agradável e sempre ouvi que sou barraqueira. Então é como se eu desse um tempo para que o barraco não aconteça e aí deixo a pessoa entrar além do limite.
Talvez eu tenha mesmo é que parar de querer bancar quem não sou ou mesmo fazer um esforço que não está me ajudando. O fato é: como? Como fazer isso sem afastar as pessoas? Acho que até o fim da terapia encontrarei minhas respostas ou boa parte delas.
Fazer essa terapia foi uma das melhores decisões que tive. Mas tudo tem seu tempo e esse foi realmente o melhor momento.
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