Natural no sentido de que eu tinha certeza que queria fazer aquilo e fiz de tudo para que acontecesse. Não foi fácil, pois com Daniel foi um processo doloroso até a gente achar o "jeitinho" e depois até uns cinco meses ainda doía um pouco. Com um aninho eu desmamei ele, me sentia esgotada, pois ele mamava dia e noite sem parar como um recém-nascido. Não estava sendo saudável para mim e acho que a essas alturas nem para ele. Digo no sentido emocional, porque eu já estava extremamente cansada, irritada, sem saber mais o que fazer, sem poder dormir porque ele acordava quase a noite toda. E foi melhor assim, ele se acalmou e começou dormir um pouco melhor e eu também e começamos uma nova etapa, evoluímos conquistamos um outro tipo de relacionamento.
Com o Bruno foi completamente diferente. ele mamava nos horários certos e nunca foi de mamar à noite. Quando era bebê recém-nascido eu tinha que acordá-lo para amamentar. As circunstâncias foram completamente outras. Ele não me deixou tão esgotada e pude levar a amamentação numa boa até a pouco tempo. Ele mesmo foi desmamando e deixando de lado.
Mas o processo foi engraçado e achei muito interessante o jeitinho dele lidar com as coisas. Comentei com meu marido como é diferente quando a criança passa por um processo de aprendizado natural.
No começo do desmame ele queria mamar apenas pelo cheirinho e pelo costume. De manhã vinha para minha cama e achava que precisava mamar. Então mamava e ficava tudo bem. Depois, pela manhã, vinha para minha cama, mas já não queria mais mamar. virava de costas para mim e eu ficava cheirando seu pescocinho, fazendo um cafuné e estava bom assim.
De dia ele ainda queria mamar, mas era como um teste. Quando ele percebia que eu estava brava com ele por alguma coisa que ele fez, ou simplesmente estava nervosa, ele já fazia birra querendo mamar apenas para garantir se estava tudo bem entre nós. Bom, eu não neguei nunca esses momentos porque tinha certeza que eram passageiros.
Na casa da minha mãe também fazia beicinho e queria mamar apenas porque sabia que eu ia deixá-lo lá para ir em algum lugar. Lá eu fui cortando devagarinho, mas ainda assim cedia algumas vezes. Claro que nem preciso dizer que não fui recriminada. Porque todo mundo concordou comigo? Não. Porque todos já sabem meu jeito de "maternar" e já se acostumaram a não darem palpites tolos.
Pois bem, chegamos ao fim da jornada. Posso chorar? Não, não vou chorar porque sinto que só tenho a comemorar. Mas que fica um apertinho no coração, ah isso fica. Um nó esquisito na garganta, uma sensação estranha de alegria e tristeza ao mesmo tempo.
Ontem percebi o fim dessa jornada da amamentação. Ele ficou no meu colo e puxava minha blusa e me cheirava, mas não pedia para mamar. Eu deixei, apenas para ver o que ele fazia.
Puxava, olhava lá dentro, olhava para mim com uma carinha de "quero, mas nem quero mais" uma indecisão, uma vontade que ele já não sabia do que era. E aí se acomodou no meu colo quietinho e ali ficou aninhado mas desistiu de mamar porque "poxa, nem estou mais afim mesmo, já sou um mocinho"
Então se encerra oficialmente mais uma etapa da vidinha dele e da minha. Posso dizer que foi mais uma conquista fazer tudo como imaginei, sem interferências, de maneira natural e tão tranquila para nós dois.
Minha mãe brinca dizendo como foi difícil "me desmamar dele", rsrsrs e foi mesmo, mas não foi nada doloroso, fui seguindo o percurso do rio e não me senti nem um pouco culpada nem triste. Apenas aquele gostinho meio amargo de um adeus necessário. Que venham as próximas etapas!
vida, mais um dia hein! ;-)
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